Durante o corrente segundo semestre de 2013, a partir de uma oficina de Atuação/Performance no teatro Vertigem, ministrado por Roberto Audio, formou-se o Coletivo Mínimo. Esta performance do Eupresente realizamos com a Cia Bruta de teatro, formando ao todo 24 pessoas ensacadas em papel celofane na praça Roosevelt, durante mais de 1 hora na Satyrianas, sábado. A intenção é fazer mais vezes, em outros lugares, com um número de 100 pessoas. A satyrianas foi uma experimentação, mais coisas acontecerão. Depois de cada experiência, cada membro realiza uma escrita automática sobre a experiência, a minha está logo abaixo.
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foto by Gastão Guedes, Bruna |
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foto by Gastão Guedes, eu Andressa |
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foto by Gastão Guedes, Guilherme |
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foto by Paulo Couri, Juliana |
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foto by Sit Kong Sang, Flávio e Mafê |
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foto by Paulo Couri, Diego Pinotti |
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foto by Ilton Toshiaki, Mariana |
Eu Presente
Embaçada, minha presença
materializada. Respiração condensada, eu viva, eu presente. Um
outro tenta me enxergar através da névoa cristalizada, e, a partir
do encontro com o olhar alheio que me mira, interrogado, eu o miro,
indagada, e assim me percebo existente e aberta, toda furada e
transpassada, pela e para a presença dos outros, do mundo.
Eu existo quando troco
com o outro a experiência de estar no tempo. Eu estou presente
quando meus sentidos acolhem o externo e a sua fugacidade. Inspiro e
expiro, interiorizo e exteriorizo. Eu aqui. Você aqui. Parada.
Parados, passamos. Para ver, para ser vista. Para. De mim para você,
de você para mim. É neste espaço do “para” que eu me
presentifico e faço um sentido. O sentido que você der, faremos
juntos.
A presença é o notar
daquilo que sempre está sem ser percebido. É despertar para o óbvio
que sustenta a existência, sustenta as relações e as convivências.
Eu você pudemos ver a minha respiração, pudemos ver entre e
através dela. Os transeuntes detiveram seu caminho e, movidos pela
curiosidade, pararam para ver uma pessoa. Um presente tropeçou o seu
caminho.
A fala não é,
necessariamente, comucação. A Presença é a Comunicação. Sou
presente naquilo que é compartilhado. Eu quero parar para notar e
redescobrir o óbvio que nutre o dia-a-dia. Estar presente é, a cada
vez e toda vez, perceber o mesmo com diferentes filtros de cor.
Andressa Crossetti
18/11/2013